Pedi que a Dra. Laura S. Ward, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) de São Paulo, escrevesse um post nos esclarecendo sobre o risco do hipotireoidismo na gestação. Ouvi uma frase esse dias que dizia: ” Você deve entender muito bem se quer ter um filho ou ser mãe.” – realmente não basta só engravidar, mas você precisa se cuidar, abrir mão de algumas coisas, fazer concessões, desde o primeiro dia da gestação, aliás, desde o momento que resolve ser mãe! E isso não muda com o nascimento do bebê, ao contrário!!! Por isso achei interessante trazer para vocês este tema para que as grávidas que nos lêem possam conversar com suas médicas para entender seus riscos, seus quadros .. enfim, a ideia não é assustar ninguém, mas prevenir vocês e alertar para o cuidado de um pré-natal nota 10!!!!!

“Depressão, cansaço, falta de concentração, prisão de ventre ou ganho de peso sem causa aparente podem ser alguns dos sinais do hipotireoidismo. Uma doença geralmente mascarada por outros problemas e que passa despercebida por anos. Caracterizada pelo déficit na produção hormonal da glândula da tireoide, a patologia atinge cerca de 300 milhões de pessoas no mundo.

Responsável por um alto índice de infertilidade, o hipotireoidismo acomete até 10 vezes mais mulheres que homens. Ela pode fazer com a mulher deixe de ovular, além de tornar o ciclo menstrual irregular. Entre aquelas que conseguem engravidar, há um risco maior de aborto, parto prematuro e descolamento da placenta.

Embora o ideal seja detectar e tratar a doença antes da gestação, estima-se que cerca de 5% das mulheres grávidas desenvolvem hipotireoidismo1. Além disso, 7% das novas mães, que não tenham sido previamente diagnosticadas com a doença, podem desenvolver problemas de tireoide no primeiro ano depois de ter seu bebê1.

O hipotireoidismo materno traz consequências graves para o bebê, afetando o desenvolvimento físico e mental da criança, o que pode impactar a vida social e a habilidade de aprendizado ao longo da vida.

Apesar de poder ter um prognóstico ruim, quando a doença é detectada o acompanhamento com o endocrinologista e o controle adequado com medicamentos asseguram uma gravidez saudável e sem prejuízos para o bebê.

Existem diversas causa do hipotireoidismo, incluindo histórico familiar de problemas de tireoide, doenças autoimunes, remoção cirúrgica parcial ou total da glândula tireoide, tratamentos de radiação e dieta muito pobre em iodo. Porém, como os sintomas são muito comuns a outros problemas de saúde, dificultando o diagnóstico correto, é indicado uma triagem no primeiro trimestre de gestação.”

Referência:
1. 1 Watts T, et al. Confirmatory factor analysis of the thyroid-related quality of life questionnaire ThyPRO. Health Qual Life Outcomes, 2014; 12:126

Autora: Dra. Laura Ward, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) SP.

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(imagens: einstein.br)