A entrevista de hoje é para esclarecer algumas dúvidas na hora de mandar fazer o seu convite, seja de casamento ou para algum evento em especial. A calígrafa, Helô Ferrari explica melhor esse trabalho, que é tão importante na confecção de um convite e que revela um pouco como será a festa.

1. Como começou o seu trabalho? E o que a fez despertar para esse talento?

Começou em 1990, quando poucos faziam este tipo de atividade. Como minha letra foi sempre apreciada, resolvi investir num curso para poder trabalhar em casa, uma vez que tinha crianças e não dispunha de um horário convencional. A caligrafia nos dá oportunidade de fazermos o nosso horário, porém é muito importante frisar que o cumprimento do prazo  deve ser muito observado. Existe um comprometimento com a cliente que não pode ser esquecido de forma alguma.

2. Quantos dias antes a calígrafa deve receber os convites?

Os prazos devem ser estipulados na entrega do material (convites, lista, etc) dependendo do número de convites a escrever. Por exemplo, 200 convites eu levo de 3 a 4 dias úteis no máximo. Os convites à princípio deverão ser entregues entre 50 e 20 dias antes do evento.

3. Quantos envelopes a mais devem ser feitos e entregues a calígrafa?

Sempre é bom trabalhar com uma margem de erro, pois estes acontecem, pois estamos lidando com materiais muito delicados (tinta e bico de pena) e os erros podem vir também da própria digitação da lista. De preferência, 5% de envelopes a mais , dão uma tranquilidade maior à calígrafa.

4. Como a noiva deve escolher o tipo de letra e a espessura da pena?

A noiva antes de mais nada deve ter o conhecimento que a caligrafia é uma arte pessoal. Cada calígrafa tem sua letra e esta dificilmente pode ser alterada. A letra de cada calígrafa é aquela por ela apresentada podendo ser utilizadas diferentes penas o que resulta em espessuras diferentes. Estas penas utilizadas também vão depender do tipo de papel usado no convite. Ex: Um papel com muito relevo requer uma pena mais dura que facilita a escrita.
Mas normalmente fazemos o mais próximo da letra escolhida do convite.

5. Tendência para letras e espessura, existe? Qual seria?

Hoje em dia, a noiva dispõe de um leque variadissímo de opções que as gráficas oferecem. Nós costumamos seguir sempre a tendência da letra escolhida pela noiva no convite, sempre que possível.

6. Quais informações a calígrafa deve receber para o envelope?

Os casamentos nem sempre são tão formais como antes, de modo que a noiva ao trazer os convites para a calígrafa deve trazer a lista da forma que ela quer que seja escrita.
A forma mais tradicional e correta é a de Sr. …….  e Sra. / Família  ou  ———e Sra./ Família (sem o SR. na frente).Ex: Sr. José da Silva e Sra./ Família
ou   José da Silva e Sra. /Família. Para um casamento mais formal e tradicional a forma SR. e SRa ……. é muito pedida ainda, mesmo depois da lei do divórcio em 1978,  que deixou a maneira em desuso, justamente por nem sempre a mulher ter o mesmo sobrenome do marido.

Casais de namorados hoje em dia , escrevemos os dois nomes num só convite. Porém nunca esquecendo que a forma dos dois nomes devem ser iguais.Ex: se forem usar os nomes próprios, vale para os dois nomes Ex: Maria e João / ou Maria da Silva e João de Azevedo. Quando o casal reside numa mesma residência, sempre deve-se fazer um só convite, independentemente se for casado ou não.
Ex: João da Silva e Sra. Em hipótese nenhuma usa-se o nome da mulher e Sr. Ex: Maria da Silva e Sr.

7. Deve-se colocar títulos, como Dr. e afins, por exemplo?

Nunca é demais lembrar que o casamento é um evento familiar (por maior que seja o número de convidados) por isso no convite nunca colocamos títulos, pois todos são considerados amigos. Eventualmente, se o convite for  enviado via protocolo o título deve ser utilizado. Ex: Exmo. Sr. …….  Governador do Estado de São Paulo.

(Imagens cedidas pela entrevistada)